A placenta pode auxiliar no diagnóstico da citomegalovirose congênita?
Contenido principal del artículo
Resumen
Introdução: Citomegalovirose congênita é a principal causa infecciosa de perda auditiva neurossensorial e anormalidades no desenvolvimento neurológico em recém-nascidos de países desenvolvidos. Em muitas outras partes do mundo, permanece como a segunda causa de malformações graves, perdendo apenas para a paralisia cerebral. Quando sintomáticos, apresentam microcefalia, hepatoesplenomegalia, letargia, petéquias, trombocitopenia, deficiências neurológicas, retinopatia e crescimento intrauterino restrito. Objetivo: Relatar caso de recém-nascido com suspeita de infecção congênita por citomegalovírus e documentar os achados placentários. Descrição do caso: Recém-nascido com crescimento intrauterino restrito, mãe hipertensa e com oligodrâmnia severa, nascido de parto cesariana, prematuro e pequeno para a idade gestacional. Durante o pré-natal, identificou anti-HIV, HBsAg e VDRL não reatores, mas IgG e IgM positivos para citomegalovírus. No recém-nascido, a ultrassonografia transfontanela revelou hemorragia intracraniana grau II; tomografia computadorizada de crânio e emissão otoacústica sem alterações e sorologia IgG e IgM para citomegalovírus negativas. Não houve detecção de DNA do citomegalovírus através da reação em cadeia de polimerase no líquor e na urina do recém-nascido. A histopatologia e imuno-histoquímica da placenta demostraram compatibilidade com infecção viral por citomegalovírus. Discussão: O diagnóstico intrauterino da citomegalovirose pode ser obtido através da reação em cadeia de polimerase no líquido amniótico. O diagnóstico pós-natal inclui a reação em cadeia de polimerase em saliva, urina ou ambas. Vilosite linfoplasmocitária crônica, vilosidades avasculares fibróticas, inclusões intranucleares e intracitoplasmáticas são achados comuns e característicos da infecção placentária pelo citomegalovírus. O estudo anátomo-patológico placentário é um instrumento valioso na presunção dos casos de infecção congênita pelo citomegalovírus.
Descargas
Detalles del artículo

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Citas
1. Lindholm K, O'Keefe M. Placental Cytomegalovirus Infection. Arch Pathol Lab Med. 2019; 639-642.
2. Fowler KB, Boppana SB. Congenital cytomegalovirus infection. Semin Perinatol. 2018; 42(3):149-154.
3. Uenaka M, Morizane M, Tanimura K, Deguchi M, Kanzawa M, Itoh T, et al. Histopathological analysis of placenta with congenital cytomegalovirus infection. Placenta. 2019; 62-67
4. Rawlinson WD, Boppana SB, Fowler KB, Kimberlin DW, Lazzarotto T, Alain S, et al. Congenital cytomegalovirus infection in pregnancy and the neonate: consensus recommendations for prevention, diagnosis, and therapy. Lancet Infect Dis. 2017; 17(6):e177-e188.
5. Schleiss M. Congenital cytomegalovirus infection: Improved understanding of maternal inmune responses that reduce the risk of transplacental transmission. Clin Infect Dis. 2017; 65.
6. Society for Maternal-Fetal Medicine (SMFM), Hughes BL, Gyamfi-Bannerman C. Diagnosis and antenatal management of congenital cytomegalovirus infection. Am J Obstet Gynecol. 2016; 214(6):B5-B11.
7. Itell H, Nelson C, Martinez D, Permar S. Maternal inmune correlates of protection against placental transmission of cytomegalovirus. Placenta. 2017; 60 Suppl 1:S73-S79.
8. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico. 5. ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012; 302 p:135 (Série A. Normas e Manuais Técnicos).
9. Gillan J.E. Perinatal placental pathology. Current Opinion in Obstetri.Gynecol. 1992; 4:286-294.
10. Altshuler, G. Placental pathology clues for interdisciplinar classification of fetal disease. Trophobl. Res. 1999; 13:511-525.
11. Yamamoto AY, Castelucci RA, Aragon DC, Mussi-Pinhata MM. Early high CMV seroprevalence in pregnant women from a population with a rate of congenital infection. Epidemiol Infect. 2013; 141(10):2187-91.
12. Rosen MG, Dickinson J.C. The incidence of cerebral palsy. Am J Obstet Gynecol. 1992; 167(2):417-23.
13. Beebe LA, Cowan LD, Altshuler G. The epidemiology of placental features: association with gestational age and neonatal outcome. Obstet Gynecol. 1996; 87(5 Pt 1):771-8.
14. Pinhata MMM, Yamamoto AY. Revisitando os conceitos de citomegalovirose no recém-nascido. Sociedade Brasileira de Pediatria; Proxianoy RS, Leone CR, organizadores. ProRN programa de atualização em neonatologia: ciclo 11. Porto Alegre: Artemed panamericana; 2014. p. 113-44).
15. Bernirschke K. Examination of the placenta. Obstet. Gynecol. 18:309-333, 1961