A placenta pode auxiliar no diagnóstico da citomegalovirose congênita?

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Carlos Enrique Crismatt
Arnaldo Bueno
Maria Dolores Salgado Quintães
Consuelo Lozoya

Resumo

Introdução: Citomegalovirose congênita é a principal causa infecciosa de perda auditiva neurossensorial e anormalidades no desenvolvimento neurológico em recém-nascidos de países desenvolvidos. Em muitas outras partes do mundo, permanece como a segunda causa de malformações graves, perdendo apenas para a paralisia cerebral. Quando sintomáticos, apresentam microcefalia, hepatoesplenomegalia, letargia, petéquias, trombocitopenia, deficiências neurológicas, retinopatia e crescimento intrauterino restrito. Objetivo: Relatar caso de recém-nascido com suspeita de infecção congênita por citomegalovírus e documentar os achados placentários. Descrição do caso: Recém-nascido com crescimento intrauterino restrito, mãe hipertensa e com oligodrâmnia severa, nascido de parto cesariana, prematuro e pequeno para a idade gestacional. Durante o pré-natal, identificou anti-HIV, HBsAg e VDRL não reatores, mas IgG e IgM positivos para citomegalovírus. No recém-nascido, a ultrassonografia transfontanela revelou hemorragia intracraniana grau II; tomografia computadorizada de crânio e emissão otoacústica sem alterações e sorologia IgG e IgM para citomegalovírus negativas. Não houve detecção de DNA do citomegalovírus através da reação em cadeia de polimerase no líquor e na urina do recém-nascido. A histopatologia e imuno-histoquímica da placenta demostraram compatibilidade com infecção viral por citomegalovírus. Discussão: O diagnóstico intrauterino da citomegalovirose pode ser obtido através da reação em cadeia de polimerase no líquido amniótico. O diagnóstico pós-natal inclui a reação em cadeia de polimerase em saliva, urina ou ambas. Vilosite linfoplasmocitária crônica, vilosidades avasculares fibróticas, inclusões intranucleares e intracitoplasmáticas são achados comuns e característicos da infecção placentária pelo citomegalovírus. O estudo anátomo-patológico placentário é um instrumento valioso na presunção dos casos de infecção congênita pelo citomegalovírus.

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Como Citar
Carlos Enrique Crismatt, Arnaldo Bueno, Maria Dolores Salgado Quintães, & Consuelo Lozoya. (2020). A placenta pode auxiliar no diagnóstico da citomegalovirose congênita?. Revista De Pediatria SOPERJ, 20(2), 67–71. https://doi.org/10.31365/issn.2595-1769.v20i2p67-71
Seção
Relato de Caso

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