Associação da ocorrência de violência na infância em médicos da Estratégia Saúde da Família e a notificação da violência infantojuvenil
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Introdução: A notificação da violência contra crianças e adolescen tes configura-se como uma ferramenta para o controle do agravo e o cuidado das vítimas e famílias. Assim, é importante compreender se a ocorrência de violência na infância apresenta uma relação com o ato de notificar a violência infantojuvenil. Objetivo: Analisar a associação da ocorrência de violência na infância em médicos da Estratégia Saúde da Família e a notificação da violência infantojuve nil em Manaus. Métodos: Estudo transversal, realizado em unidades básicas de saúde. Para a coleta de dados, utilizou-se um questioná rio multitemático padronizado, pré-codificado, previamente testado e autoaplicado. Para identificar a ocorrência de violência na infância, empregou-se o Questionário sobre Traumas na Infância (QUESI). Resultados: Dos 71 médicos que participaram do estudo, mais de 90% referiram a ocorrência de negligência física e emocional de forma moderada a extrema. A ocorrência de abuso físico, sexual e a negligência emocional predominou no sexo feminino. Não há rela ção entre a ocorrência de violência na infância entre os médicos da Estratégia Saúde da Família em Manaus e o ato de notificar a violên cia contra crianças e adolescentes. No entanto, observou-se que os profissionais médicos que sofreram abuso sexual (60,0%) foram os que mais notificaram os casos identificados. Conclusões: O estudo demonstrou que a ocorrência de violência sexual na infância parece influenciar o ato de notificar. Dessa forma, enfatiza-se a necessidade de se considerar não somente as experiências profissionais, como o histórico pessoal dos profissionais ao se planejar as capacitações sobre o tema.
Downloads
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Referências
1. Hillis S, Mercy J, Amobi A, Kress H. Global Prevalence of Past-year Violence Against Children: A Systematic Review and Minimum Estimates. Pediatrics. 2016;137(3):1-13.
2. World Health Organization. Violence prevention the evidence: preventing violence by developing life skills in children and adolescents. Genebra: WHO, 2009.
3. Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. ECA 2017 - Estatuto da Criança e do Adolescente (Versão Atualizada). Rio de Janeiro: CEDECA, 2017. 258 p.
4. Guzzo PC, Costa MC, Silva EB, Jahn AC. Práticas de saúde aos usuários em situação de violência: da invisibilidade ao (des)cuidado integral. Rev. Gaúcha Enferm. 2014;35(2):100-105.
5. Candib LM, Savageau JAW. Inquiring into our past: when the doctor is a survivor of abuse. Fam. Med. 2012;44(6):416-24.
6. Christofides NJ, Silo Z. How nurses' experiences of domestic violence influence service provision: Study conducted in North-west province, South Africa. Nursing & Health Sciences. 2005;7:9-14.
7. Lahunta EA, Tulsky AA. Personal exposure of faculty and medical students to family violence. JAMA. 1996;275(24):1903-6.
8. Grassi-Oliveira R, Stein LM, Pezzi JC. Tradução e validação de conteúdo da versão em português do Childhood Trauma Questionnaire. Rev. Saúde Públ. 2006;40(2):249-55.
9. Brito GEG, Mendes ACG, Neto PMS, Farias DN. Perfil dos trabalhadores da estratégia saúde da família de uma capital do nordeste do Brasil. Rev. APS. 2016;19(3):434 - 445.
10. Canesqui AM, Spinelli MAS. Saúde da família no Estado de Mato Grosso, Brasil: perfis e julgamentos dos médicos e enfermeiros. Cad. Saúde Pública. 2006;22(9):1881-1892.
11. Ferrari RAP, Thomson Z; Melchior R. Estratégia da saúde da família: perfil dos médicos e enfermeiros, Londrina, Paraná. Semina: Ciênc. Biol. Saúde. 2005;26(2):101-108.
12. Cullinane PM, Alpert EJ, Freund KM. Firts-year Medical Student´s knowledge of attitudes toward, and personal histories of family violence. Acad. Med. 1997;72(1):48-50.
13. Souto RMCV, Barufaldi LA, Nico LS, Freitas MG. Perfil epidemiológico do atendimento por violência nos serviços públicos de urgência e emergência em capitais brasileiras, Viva 2014. Ciênc. Saúde Coletiva. 2017;2(9)2811-2823.
14. Vieira MS, Oliveira SB; Sókora CA. A violência sexual contra crianças e adolescentes: particularidades da região Norte do Brasil. Intellector. 2017;13(12):136-151.
15. Santos LF, Silva MVFB, Santos NSS, Pacheco LR, Silva JB, Mutti CF. Perfil da violência contra crianças em uma capital brasileira. Desafios. 2020; 7(1):36-43.
16. Platt VB, Back IC, Hauschild DB, Guedert JM. Violência sexual contra crianças: autores, vítimas e consequências. Ciênc. Saúde Coletiva. 2018; 23(4):1019-1031.
17. Pires JM, Goldani MZ, Vieira EM, Nava TR, Feldens L, Castilhos K, Simas V, Franzon NS. Barreiras, para a notificação pelo pediatra, de maus-tratos infantis. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant. 2005;5(1):103-108.
18. Luna GLM, Ferreira RC, Vieira LJES. Notificação de maus-tratos em crianças e adolescentes por profissionais da Equipe Saúde da Família. Ciênc. Saúde Coletiva. 2010;15(2):481-491.
19. Araújo MF. Violência e abuso sexual na família. Psiol. Estud. 2002;7(2):3-11.
20. Albaek AU, Kinn LG, Milde AM. Walking Children Through a Minefield: How Professionals Experience Exploring Adverse Childhood Experiences. Qual. Health Res. 2018;28(2):231-244.
21. Palusci VJ, Kay AJ, Batra E, Moon RY, Corey TS, Andrew T, Graham M. Identifying Child Abuse Fatalities During Infancy. Pediatrics. 2019;144(3):1-9.
22. Ferreira AL. A criança vítima de violência. Rev. Ped. SOPERJ. 2012;13(2):4-9.
23. Netto MFV, Deslandes SF. As Estratégias da Saúde da Família no enfrentamento das violências envolvendo adolescentes. Ciênc. Saúde Coletiva. 2016; 21(5):1583-1595.