Criança exposta verticalmente ao HIV e não infectada apresentando infecções graves: evidência de imunodeficiência?
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Resumen
Objetivo: Crianças expostas verticalmente ao HIV e não infectadas frequentemente são
submetidas a maior risco de intercorrências infecciosas, comparado à população pediátrica não exposta ao vírus. O objetivo deste trabalho é relatar o caso de uma criança exposta ao HIV e não infectada que apresentou três intercorrências infecciosas graves no primeiro ano de vida.
Descrição do caso: Trata-se de criança filha de mãe usuária de cocaína, etilista, com diagnóstico de HIV desde 2006, em uso de antirretrovirais desde o segundo trimestre desta
gestação. Pré-natal especializado, assintomática na gestação, CD4 de 995 células/mm3 e carga viral indetectável próximo do parto. Recebeu zidovudina intravenosa no periparto. RN foi encaminhada à UTI com desconforto respiratório, necessitando ventilação mecânica. Criança permaneceu internada por 38 dias com dois episódios de sepse confirmadas por hemocultura (Enterobacter e Serratia mascences em momentos diferentes). Após alta, apresentou um episódio de pneumonia no segundo semestre de vida, além de candidíase perineal, infecção de vias aéreas superiores, síndrome pertussis e dois episódios de bronquiolite, necessitando internação em duas ocasiões. Criança apresentou três cargas virais indetectáveis e um teste anti-HIV não reativo após os 12 meses de idade, recebendo alta do serviço após exclusão da infecção pelo HIV.
Discussão: Apesar de não infectada pelo HIV, paciente apresentou uma clínica grave durante
o primeiro ano de vida, com três infecções sistêmicas, sugerindo imunodeficiência. A
observação da frequência de intercorrências infecciosas neste grupo poderá contribuir para
uma melhor abordagem e uma intervenção mais adequada, com o objetivo de diminuir a
morbimortalidade nessa população.
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