Infecção tuberculosa latente pediátrica em Santa Catarina: perfil clínico-epidemiológico e desafios em serviço de referência
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Introdução: A tuberculose é um importante problema de saúde pública global, especialmente em crianças, mais suscetíveis a formas graves. Alinhado a recomendações internacionais, o Brasil adotou a triagem e tratamento da infecção latente por tuberculose (ILTB) como estratégia fundamental para controle da doença. Conhecer as características clínico-epidemiológicas das crianças com ILTB é fundamental para o sucesso da medida. Objetivo: Descrever as características clínico-epidemiológicas de crianças com ILTB em um hospital de referência do sul do Brasil. Métodos: Estudo retrospectivo, observacional e descritivo, analisando prontuários de pacientes de 0 a 15 anos diagnosticados com ILTB entre junho/2020 e março/2024. Foram incluídos casos com prova tuberculínica ou IGRA positivos, sem evidência de tuberculose ativa. Resultados: Dos 64 casos analisados, 54,69% eram do sexo feminino e 42,19% pré-escolares. Observou-se alta perda de seguimento (64% não retornaram após primeiro teste não-reativo). O perfil predominante foi de crianças brancas (85,94%) e vacinadas com BCG (96,88%). A transmissão ocorreu principalmente por contato domiciliar intrafamiliar (79,69%), sendo a forma pulmonar a mais frequente (89,06%) nos casos-índice. A prevalência corrigida de ILTB foi de 73,21%, com resistência medicamentosa identificada em 7,82% dos contatos. Do total, 41 pacientes (64,06%) aderiram à conduta proposta, e registrou-se perda de seguimento em 22 casos (34,92%). Conclusão: A ILTB mostrou maior prevalência em pré-escolares e escolares, com transmissão predominantemente intradomiciliar. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica e a busca ativa de contatos para interromper a cadeia de transmissão tuberculosa.
Downloads
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.