Comparação entre os resultados do teste da orelhinha e da timpanometria: devemos revisar o protocolo de triagem auditiva neonatal?
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Introdução: a grande incidência de alterações na orelha média em recém-nascidos gera aumento na frequência de resultados falsamente alterados no teste da orelhinha. Objetivo: analisar a correlação entre as respostas das emissões otoacústicas evocadas transientes com os resultados da timpanometria. Métodos: estudo prospectivo no qual foram estudados os recém-nascidos que permaneceram internados na unidade neonatal. Estes foram submetidos à timpano metria com tom de 226 Hz e 1.000 Hz e a emissões otoacústicas evocadas transientes. As curvas timpanométricas foram classificadas em normais (A e duplo pico) ou alteradas (Ad, As, B, C). A população foi descrita por meio de frequências absolutas e relativas, e a correlação entre os resultados dos exames realizados foi estabelecida por meio do teste qui-quadrado e por regressão logística, com significância de 95%, utilizando-se o pacote estatístico SPSS 16.0. Resultados: dos
172 pacientes admitidos, preencheram os critérios de inclusão 137, perfazendo 274 orelhas. Dessas, 22 apresentaram emissões otoacústicas evocadas transientes alteradas, 14 timpanometrias com tom de 226 Hz e 18 timpanometrias com tom de 1.000 Hz. A correlação entre emissões otoacústicas evocadas transientes alteradas e timpanometria com tom de 226 Hz alterada no primeiro exame apresentou OR
= 44 (IC 95%: 11,75 – 166,81; p < 0,001); com a timpanometria tom de 1.000 Hz, a correlação apresentou OR = 829 (IC 95%: 100,2 – 6.879,17; p < 0,001). Conclusões: houve melhor correlação entre os resultados das emissões otoacústicas evocadas transientes com a timpanometria com tom de 1.000 Hz na população estudada.
Downloads
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Referências
1. Northern JL, Downs MP. Audição na infância. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2005.
2. Colella-Santos MF, Bragato GR, Martins PMF, Dias AB. Triagem auditiva em escolares de 5 a 10 anos. Rev CEFAC. 2009;11(4):644-53.
3. Yoshinaga-Itano C, Sedey AL, Coulter DK, Mehl AL. Language of early-and later-identified children with hearing loss. Pediatrics. 1998;102(5):1161-71.
4. Alvarenga KF, Piza MRT. Identificação e avaliação auditiva do recém-nascido e da criança. In: Caldas Neto S, Mello Júnior JF, Martins RHG, Costa SS (Eds.). Tratado de otorrinolaringologia e cirurgia cervicofacial da ABORL-CCF. 2. ed. São Paulo: Editora Roca; 2011. v. I, p. 489-521.
5. Carmo MP, Costa NTO, Momensohn-Santos TM. Tympanometry in infants: a study of the sensitivity and specificity of 226-Hz and 1,000-Hz probe tones. Int. Arch. Otorhinolaryngology. 2013;17(4):395-402.
6. Shahnaz N, Miranda T, Polka L. Multifrequency tympanometry in neonatal intensive care unit and well babies. J Am Acad Audiol. 2008;19(5):392-418.
7. Hoffmann A, Deuster D, Rosslau K, Knief A, Am Zehnhoff-Dinnesen A, Schmidt CM. Feasibility of 1,000Hz tympanometry in infants: tympanometric trace classification and choice of probe tone in relation to age. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2013;77(7):1198-203.
8. Margolis RH, Bass-Ringdahl S, Hanks WD, Holte L, Zapala DA. Tympanometry in newborn infants - 1kHz norms. J Am Acad Audiol. 2003;14(7):383-92.
9. Calandruccio L, Fitzgerald TS, Prieve BA. Normative multifrequency tympanometry in infants and toddlers. J Am Acad Audiol. 2006;17(7):470-80.
10. American Academy of Pediatrics, Joint Committee on Infant Hearing. Year 2007 position statement: principles and guidelines for early hearing detection and intervention programs. Pediatrics. 2007;120(4):898-921.
11. Lewis DR, Marone SA, Mendes BC, Cruz OL, Nóbrega Md. Multiprofessional committee on auditory health: COMUSA. Braz J Otorhinolaryngol. 2010;76(1):121-8.
12. Alaerts J, Luts H, Wouters J. Evaluation of middle ear function in young children: clinical guidelines for the use of 226- and 1,000-Hz tympanometry. Otol Neurotol. 2007;28(6):727-32.
13. Paradise JL, Smith CG, Bluestone CD. Tympanometric detection of middle ear effusion in infants and young children. Pediatrics. 1976;58(2):198-210.
14. Doyle KJ, Kong YY, Strobel K, Dallaire P, Ray RM. Neonatal middle ear effusion predicts chronic otitis media with effusion. Otol Neurotol. 2004;25(3):318-22.
15. Margolis RH, Hunter LL. Timpanometria: princípios e aplicações clínicas. In: Musiek FE, Rintelmann WI (Eds.). Perspectivas atuais em avaliação auditiva. São Paulo: Manole; 2001. p. 85-126.
16. Kei J, Allison-Levick J, Dockray J, Harrys R, Kirkegard C, Wong J et al. High-frequency (1,000Hz) tympanometry in normal neonates. J Am Acad Audiol. 2003;14(1):20-8.
17. Jerger J. Clinical experience with impedance audiometry. Arch Otolaryngol. 1970;92(4):311-24.
18. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2012. (Série A. Normas e manuais técnicos).
19. Alexander GR, Himes JH, Kaufman RB, Mor J, Kogan M. A United States national reference for fetal growth. Obstet Gynecol. 1996;87(2):163-8.
20. Carmo MP, Almeida MG, Lewis DR. Timpanometria com tons teste de 226 Hz e 1 kHz em um grupo de lactentes com indicadores de risco para deficiência auditiva. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012;17(1):66-72.
21. Garcia CFD, Isaac ML, Oliveira JAA. Emissão otoacústica evocada transitória: instrumento para detecção precoce de alterações auditivas em recém-nascidos a termo e pré-termo. Rev Bras Otorrinolaringol. 2002;68(3):344-52.
22. Boone RT, Bower CM, Martin PF. Failed newborn hearing screens as presentation for otitis media with effusion in the newborn population. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2005;69(3):393-7.
23. Engel J, Mahler E, Anteunis L, Marres E, Zielhuis G. Why are NICU infants at risk for chronic otitis media with effusion? Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2001;57(2):137-44.
24. Garcia MV, Azevedo MF, Testa JR. Accoustic immitance measures in infants with 226 and 1,000Hz probes: correlation with otoacoustic emissions and otoscopy examination. Braz J Otorhilaryngol. 2009;75(1):80-9.
25. Camboim ED, Correia AMN, Vasconcelos D, Torres R, Scharlach RC, Azevedo MF. Análise comparativa das emissões otoacústicas com a timpanometria em lactentes de 0 a 6 meses. Rev CEFAC. 2012;14(3):403-12.
26. Baldwin M. Choice of probe tone and classification of trace patterns in timpanometry undertaken in early infancy. Int J Audiol. 2006;45(7):417-27.
27. Rhodes MC, Margolis RH, Hirsch JE, Napp AP. Hearing screening in the newborn intensive care nursery: comparison of methods. Otolaryngol Head Neck Surg. 1999;120(6):799-808.
28. Lyra e Silva Kde A, Novaes Bde A, Lewis DR, Carvallo RM. Tympanometry in neonates with normal otoacoustic emissions: measurements and interpretation. Braz J Otorhilaryngol. 2007;73(5):633-9.