Raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X: importância no diagnóstico diferencial no paciente pediátrico com déficit pôndero-estatural de causa desconhecida

Conteúdo do artigo principal

Larissa da Silva Chini
Larissa de Menezes Cabral
Marilene Ferraz Cavalieri
Álvaro Martins Gabriel Isaac
Zumira Aparecida Carneiro
Laura Vagnini
Thiago Hirose
Charles Marques Lourenço
Tainá Regina Damaceno Silveira

Resumo

Introdução: O raquitismo hipofosfatêmico ligado ao cromossomo X é uma rara doença osteometabólica causada por mutações no gene PHEX (Endopeptidase Neutra Reguladora de Fosfato), localizado no cromossomo Xp22.11. Mutações nesse gene levam ao aumento dos
níveis do fator de crescimento do fibroblasto 23 (FGF-23), prejudicando a absorção de fosfato nas células tubulares renais e no epitélio intestinal. Relato de casos: Caso 1 Paciente feminino, 11 anos, encaminhada para investigação de déficit pôndero-estatural associado à deformidade óssea
do membro inferior em varo; exames radiográficos foram compatíveis com alterações metafisárias sugestivas de raquitismo. Caso 2 Paciente masculino, 8 anos, irmão do caso 1, encaminhado para avaliar quedas frequentes e dor em joelho ao deambular, apresentou achados radiográficos compatíveis com dolicocefalia, arqueamento dos membros inferiores em varo e displasia metafisária. Investigação bioquímica de ambos foi compatível com raquitismo hipofosfatêmico, posteriormente confirmado geneticamente com identificação de mutação patogênica no gene PHEX. Discussão: O raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X constitui uma das principais formas de raquitismo de herança genética. Pacientes afetados usualmente manifestam sintomas ainda na infância, como atraso de crescimento estato-ponderal, mineralização óssea anormal, alterações
dentárias, craniossinostose, além de osteomalácia e deformidades ósseas em membros inferiores. Diante dos avanços terapêuticos nessa área, é fundamental que o pediatra reconheça os sinais precoces dessa enfermidade, para que não só seja possível o correto e acurado manejo clínico, mas também a realização do aconselhamento genético familiar. 

Downloads

Não há dados estatísticos.
👁 Abstract Views: 63📥 PDF PT Downloads: 3

Detalhes do artigo

Como Citar
Larissa da Silva Chini, Larissa de Menezes Cabral, Marilene Ferraz Cavalieri, Álvaro Martins Gabriel Isaac, Zumira Aparecida Carneiro, Laura Vagnini, … Tainá Regina Damaceno Silveira. (2022). Raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X: importância no diagnóstico diferencial no paciente pediátrico com déficit pôndero-estatural de causa desconhecida. Revista De Pediatria SOPERJ, 22(4), 154–162. https://doi.org/10.31365/issn.2595-1769.v22i4p154-162
Seção
Relato de Caso

Referências

1. Elder CJ, Bishop NJ. Rickets. The Lancet. maio de 2014;383(9929):1665-76.

2. Prentice A. Nutritional rickets around the world. The Journal of Steroid Biochemistry and Molecular Biology. julho de 2013;136:201-6.

3. Cashman KD, Dowling KG, Skrabáková Z, Gonzalez-Gross M, Valtueña J, De Henauw S, et al. Vitamin D deficiency in Europe: pandemic? The American Journal of Clinical Nutrition. 1o de abril de 2016;103(4):1033-44.

4. Uday S, Högler W. Nutritional Rickets and Osteomalacia in the Twenty-first Century: Revised Concepts, Public Health, and Prevention Strategies. Curr Osteoporos Rep. agosto de 2017;15(4):293-302.

5. Ruppe MD. X-Linked Hypophosphatemia. In: Adam MP, Ardinger HH, Pagon RA, Wallace SE, Bean LJ, Stephens K, et al., organizadores. GeneReviews® [Internet]. Seattle (WA): University of Washington, Seattle; 2017 [citado 19 de junho de 2020]. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK83985/

6. OMIM 307800. HYPOPHOSPHATEMIC RICKETS, X-LINKED DOMINANT; XLHR [Internet]. [citado 17 de junho de 2020]. Disponível em: https://www.omim.org/entry/307800

7. Emma F, Cappa M, Antoniazzi F, Bianchi ML, Chiodini I, Eller Vainicher C, et al. X-linked hypophosphatemic rickets: an Italian experts' opinion survey. Ital J Pediatr. dezembro de 2019;45(1):67.

8. handran M, Chng CL, Zhao Y, Bee YM, Phua LY, Clarke BL. Novel PHEX Gene Mutation Associated with X Linked Hypophosphatemic Rickets. Nephron Physiol. 2010;116(3):p17-21.

9. Bitzan M, Goodyer PR. Hypophosphatemic Rickets. Pediatric Clinics of North America. fevereiro de 2019;66(1):179-207.

10. Maia ML de A, Abreu ALS, Nogueira PCK, Val MLDM do, Carvalhaes JT de A, Andrade MC de. RAQUITISMO HIPOFOSFATÊMICO: RELATO DE CASO. Rev paul pediatr. 29 de março de 2018;36(2):242-7.

11. Oliveira RB de, Moysés RMA. FGF-23: estado da arte. J Bras Nefrol. setembro de 2010;32(3):323-31.

12. Nunes AB, Lazaretti-Castro M. Raquitismo hipofosfatêmico: da clínica à genética molecular. Arq Bras Endocrinol Metab. abril de 2000;44(2):125-32.

13. Lecoq A-L, Brandi ML, Linglart A, Kamenický P. Management of X-linked hypophosphatemia in adults. Metabolism. fevereiro de 2020;103:154049.

14. López-Romero LC, Broseta JJ, Guillén Olmos E, Devesa-Such RJ, Hernández-Jaras J. Raquitismo hipofosfatémico ligado al cromosoma X: diagnóstico en la edad adulta y forma paucisintomática. Reumatología Clínica. novembro de 2019;S1699258X19301214.

15. Alenazi B, Molla MAM, Alshaya A, Saleh M. Raquitismo hipofosfatêmico ligado ao X (mutação PHEX): Um relato de caso e revisão da literatura. Sudan J Paediatr. 2017; 17 (1): 61-65.

16. Yang M, Kim J, Yang A, Jang J, Jeon TY, Cho SY, Jin DK. Uma nova mutação em mosaico em PHEX em um paciente coreano com raquitismo hipofosfatêmico. Ann Pediatr Endocrinol Metab. 2018 dez; 23 (4 ): 229-234.

17. Imel EA, Glorieux FH, Whyte MP, Munns CF, Ward LM, Nilsson O, et al. Burosumab versus conventional therapy in children with X-linked hypophosphataemia: a randomised, activecontrolled, open-label, phase 3 trial. Lancet.2019;393(10189):2416-27.

18. Carpenter TO, Whyte MP, Imel EA, Boot AM, Högler W, Linglart A, et al. Burosumab therapy in children with X-linked hypophosphatemia. N Engl J Med. 2018;378(21):1987-98.

19. Whyte M, Carpenter T, Gottesman G, Mao M, Skrinar A, San Martin J, et al. Efficacy and safety of burosumab in children aged 1-4 years with X-linked hypophosphataemia: a multicentre, openlabel, phase 2 trial. Lancet Diabetes Endocrinol [Internet]. 2019;7(3):189-99.

20. Insogna KL, Briot K, Imel EA, Kamenický P, Ruppe MD, Portale AA, et al. A Randomized, DoubleBlind, PlaceboControlled, Phase 3 Trial Evaluating the Efficacy of Burosumab, an Anti-FGF23 Antibody, in Adults With X-Linked Hypophosphatemia: Week 24 Primary Analysis. J Bone Miner Res. 2018;33(8):1383-93. 61.

21. Insogna KL, Rauch F, Kamenický P, Ito N, Kubota T, Nakamura A, et al. Burosumab Improved Histomorphometric Measures of Osteomalacia in Adults with X-Linked Hypophosphatemia: A Phase 3, Single-Arm, International Trial. J Bone Miner Res. 2019;34(12):2183-91.

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

1 2 > >>