Revista de Pediatria SOPERJ

ISSN 1676-1014 | e-ISSN 2595-1769

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Volume 19 | Número 1 | Março/2019

Editorial

O antivacinismo no Brasil: como estamos e o que podemos fazer?

Isabella Ballalai

Rev Ped SOPERJ. 2019;19(1):1-2.

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ARTIGOS ORIGINAIS

Reflexos da alimentação e das condições socioeconômicas no estado nutricional de crianças internadas na Amazônia Legal

Reflections on diet and socioeconomic conditions on the nutritional status of children hospitalized in the Legal Amazon

Milton Vilar Ferreira Dantas; Dkaion Vilela de Jesus; Audrey Stella Akemi Nogami; Camila Stein; Danilo Augusto Vidigal de Andrade; Deborah Regina Lacerda Lima; Fabianna Fabíola Néri Teixeira; Pablo André Brito de Souza; Raikar Barreto da Silva Stone; Renan da Silva Bentes; Sued Soares Lima; Viviane Harue Higa; Adelma Alves de Figueirêdo

Rev Ped SOPERJ. 2019;19(1):3-9.

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INTRODUÇÃO: As intervenções positivas, nutricionais e psicoafetivas, nos primeiros mil dias de vida, contados desde a concepção até o final do 2º ano, são fundamentais para a saúde, da infância à senescência. São capazes de aumentar a cognição e diminuir as chances de desenvolver doenças crônicas não transmissíveis.
OBJETIVO: Avaliar fatores alimentares e socioeconômicos no 1º ano de vida e correlacioná-los com o estado nutricional de crianças internadas.
MÉTODOS: Estudo retrospectivo e observacional, com um ano de duração, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Roraima sob o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética número: 65148616.6.0000.5302. Realizou-se antropometria de 158 crianças com até 1 ano de idade e entrevista à admissão hospitalar. Associações foram avaliadas pelo teste qui-quadrado, valor-p ≤ 0,05, odds ratio (OR) com intervalo de confiança de 95% no software Epi Info versão 7.0.
RESULTADOS: Houve correlação entre as variáveis: descendentes de indígenas, baixa estatura (p = 0,001; OR: 3,5) e baixo peso (p = 0,007; OR: 3,28); cinco ou mais residentes na mesma casa, baixa estatura (p = 0,04; OR: 2,3), baixo peso (p = 0,003; OR: 3,9) e baixo índice de massa corporal (p = 0,04; OR: 3,4); mãe com escolaridade até ensino fundamental completo ou menos, baixa estatura (p = 0,00; OR: 6,96), baixo peso (p = 0,001; OR: 4,24) e baixo índice de massa corporal (p = 0,006; OR: 1,58); aleitamento materno, exclusivo ou não, independentemente do tempo de duração, baixa estatura (p = 0,02; OR: 0,34) e baixo peso (p = 0,002; OR: 0,23); aleitamento materno exclusivo ou associado à fórmula infantil até o 6º mês, baixa estatura (p = 0,016; OR: 0,24) e baixo peso (p = 0,01; OR: 0,22); açúcar antes de 1 ano e baixa estatura (p = 0,009; OR: 2,89).
CONCLUSÕES: As correlações encontradas apontam que, além do consumo de dieta inadequada, os fatores socioeconômicos podem ser determinantes para a composição de um estado nutricional inadequado em lactentes hospitalizados.


Palavras-chave: Comportamento alimentar; Estado nutricional; Desnutrição; Saúde materno-infantil.

Avaliação da sobrevida de recém-nascidos pré-termo extremos em hospital universitário

Evaluation of the extreme pre-term newborn survival in a teaching hospital

Milena Marinho da Costa Lima Peixoto; Andreia Braga Araújo; Arnaldo da Costa Bueno; Maria Dolores Salgado Quintans

Rev Ped SOPERJ. 2019;19(1):10-15.

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INTRODUÇÃO: O cuidado de recém-nascidos extremamente pré-termos, especialmente aqueles considerados no limite da viabilidade, transformou-se nas últimas décadas tendo em vista o aumento da sobrevida desses pacientes.
OBJETIVO: Descrever a sobrevida de recém-nascidos extremamente prematuros reanimados em sala de parto em um hospital universitário.
MÉTODOS: Estudo de coorte retrospectiva baseado na coleta e análise de dados de prontuários de recém-nascidos com peso de nascimento inferior a 750 gramas, nascidos entre 2014 e 2015, no Hospital Universitário Antônio Pedro. Foram calculados o p-valor pelo teste exato de Fisher e risco relativo, utilizando o software R.
RESULTADOS: Os 24 pacientes da amostra apresentaram idades gestacionais entre 23/5 e 31/4 semanas, peso de nascimento médio de 596 gramas e média de Apgar de 4 no primeiro minuto e 7 no quinto minuto. Identificou-se sobrevida de 43,75% entre nascidos entre 23 e 27 (6/7) semanas, de 33,33% nos bebês com peso de nascimento inferior a 500 gramas e de 42,9% nos que nasceram entre 500 gramas e 749 gramas. A análise não apresentou significância estatística.
CONCLUSÕES: Os resultados obtidos apoiam a reanimação em sala de parto de recém-nascidos pré-termo extremos e reforçam a necessidade de mais estudos para respaldar a decisão e conduta do neonatologista.


Palavras-chave: Neonatologia; Recém-nascido prematuro; Índice de Apgar; Viabilidade fetal; Reanimação cardiopulmonar.

Perfil dos registros de acidentes botrópicos em menores de 15 anos no Brasil

Profile of bothropic accident records in children under 15 years in Brazil

Michael Laurence Zini Lise; Michelle Larissa Zini Lise; Claudia Ribeiro Zini Lise; Stefan Vilges de Oliveira

Rev Ped SOPERJ. 2019;19(1):16-24.

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INTRODUÇÃO: Os envenenamentos por serpentes são agravos à saúde negligenciados em todo o mundo.
OBJETIVO: Descrever os acidentes botrópicos em menores de 15 anos.
MÉTODOS: Estudou-se os registros de acidentes por serpentes do grupo Bothrops protocolados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação nos anos de 2007 a 2016.
RESULTADOS: Foram registrados 48.089 acidentes por serpentes, dos quais 33.859 foram do grupo Bothrops. A média anual de registros foi de 3.386. A distribuição geográfica identificou 3.735 (67,1%) municípios com ao menos um caso. A região com maior número de registros foi a Norte (16.361; 48,3%), seguida por Sudeste (6.052; 17,9%), Nordeste (5.465; 16,1%), Centro-Oeste (3.320; 9,8%) e Sul (2.661; 7,9%). O sexo masculino foi mais acometido (23.565; 69,6%). Os acidentes ocorreram predominantemente na zona rural (27.572; 81,4%). Do total de acidentes que ocorreram na zona urbana, 2.294 (45,3%) chegaram ao local de atendimento em até uma hora após o acidente. Os locais da picada mais frequentes foram pé (22.703; 67,1%), pernas (5.700; 16,8%) e mãos (3.372; 10,0%). As manifestações predominantes foram dor (30.249; 89,3%), edema (27.160; 80,2%) e equimose (6.269; 18,5%). O tempo de coagulação sanguínea foi normal em 10.120 (29,9%) dos casos, alterado em 6.714 (19,8%), não foi avaliado em 11.755 (34,7%) e em 5.270 (15,6%) das notificações essa informação estava indisponível. Os acidentes foram leves em 16.868 (49,8%).
CONCLUSÕES: As crianças do sexo masculino e residentes na zona rural são mais afetadas onde a precocidade no atendimento influi diretamente na evolução clínica destes acidentes.


Palavras-chave: Animais venenosos; Serpentes; Epidemiologia; Pediatria; Envenenamento; Perfil de saúde.

RELATOS DE CASO

Meningotuberculose em lactente: um relato de caso

Meningotuberculosis in infant: a case report

Patrícia Silva Montes; Mayara Aparecida Mastrange Viana

Rev Ped SOPERJ. 2019;19(1):25-29.

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INTRODUCÃO: A tuberculose causada pelo Mycobacterium tuberculosis é uma das 10 principais causas de morte entre crianças em todo o mundo.
OBJETIVO: Relatar caso de lactente com meningotuberculose com boa recuperação, indagar sobre o tratamento de infecção latente em lactentes pós-contato com tuberculose e observar dados que levem ao diagnóstico precoce de meningotuberculose, evitando sequelas da doença.
DESCRIÇÃO DO CASO: Relatamos caso de lactente de 9 meses de idade, com mãe em tratamento concomitante adequado para tuberculose pulmonar há 5 meses, com doses supervisionadas. Paciente havia sido investigado para infecção latente, sendo excluída hipótese; apresentava vacinação em dia. Realizou-se inicialmente tratamento para meningite bacteriana, mas, por piora do estado geral, mudança no líquido cefalorraquidiano e hidrocefalia hipertensiva na tomografia de crânio, associada à história familiar, iniciou-se tratamento para meningite tuberculosa, com boa resposta.
COMENTÁRIOS: A meningoencefalite tuberculosa, apesar de ser uma das maiores causas de mortalidade infantil no mundo, ainda é doença negligenciada. Os métodos diagnósticos para a doença ainda são pouco efetivos, devendo-se levar em consideração, portanto, uma série de critérios clínicos, laboratoriais e de anamnese, para que o tratamento seja iniciado o mais precocemente possível. O Ministério da Saúde recomenda uso de rifampicina, pirazinamida e isoniazida como tratamento para crianças com menos de 10 anos, em associação com corticoidoterapia. Devido à gravidade da doença e sua capacidade subótima de diagnóstico, a prioridade ainda deve ser a prevenção, seja através de vacinação ou de triagem de infecção latente.


Palavras-chave: Meningotuberculose; Lactente; Investigação; Tratamento.

Síndrome do exantema pápulo-purpúrico em "luvas e meias": relato de caso

Papular-purpuric "gloves and socks" syndrome: case report

Gabriela Alves Loyo; Aline Niero Carvalho; Karyn Chacon Castro; Raphaela Areias Costa; Vanessa Carvalho Macedo

Rev Ped SOPERJ. 2019;19(1):30-33.

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INTRODUÇÃO: A síndrome do exantema pápulo-purpúrico em "luvas e meias" (SEPPLM) é uma infecção aguda causada pelo parvovírus B19, caracterizada por exantema pápulo-purpúrico de predomínio distal, com distribuição em mãos e pés, de forma similar a "luvas e meias", acompanhado de febre e lesões orais.
DESCRIÇÃO DO CASO: Trata-se do caso de uma adolescente que procurou serviço com queixa de febre, lesões orais, presença de petéquias em mãos e pés delimitadas aos punhos e cotovelos, associadas a prurido intenso, com boa evolução após 7 dias de internação. Na investigação diagnóstica, foram identificados, além do parvovírus B19 IgM, herpes simples e Epstein-Barr IgM e IgG positivos.
CONCLUSÃO: Habitualmente, a SEPPLM é autolimitada, com resolução entre 7 a 14 dias, e seu reconhecimento é fundamental, de modo a evitar exames e tratamentos desnecessários.


Palavras-chave: Exantema; Parvovírus B19 humano; Pediatria